ainda me leio e ainda me sinto triste pela solidão, com a diferença de que não penso mais em morrer. pelo contrário, a possibilidade da morte tem se tornado cada vez mais assustadora. minha analista está de licença-maternidade e acredito que é a partir dessa ausência, inédita em seis anos, que me coloco a escrever. na leitura desse e do outro blog [orgasmocomsarcasmo] percebo que há significantes que se repetem em minha história, assim como em minha análise. o nada, talvez seja o mais importante deles. o que fazer com o nada? como contorná-lo? eis a minha grande questão de infância, adolescência e dos meus trinta e dois anos. algumas elaborações já foram feitas sobre o lugar que minha mãe ocupou para mim, como esse grande Outro, poderosíssimo e primordial. o lugar de nada? no sentido de buscar um olhar, uma palavra e o vazio receber? quando entrei na faculdade de psicologia, há mais ou menos quinze anos, me senti muito tomada pelo poema conquistas, de cynthia macdonald, a criança que esteliriza os pulsos e realiza uma amputação, buscando o olhar de uma mãe que não dava contornos. talvez minha maior cura com a análise tenha começado no dia em que minha analista interrogou o motivo pelo qual eu ainda continuava provocando amputações para ofertar à minha mãe. algum ponto de basta se fez desde então.
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