ainda me leio e ainda me sinto triste pela solidão, com a diferença de que não penso mais em morrer. pelo contrário, a possibilidade da morte tem se tornado cada vez mais assustadora. minha analista está de licença-maternidade e acredito que é a partir dessa ausência, inédita em seis anos, que me coloco a escrever. na leitura desse e do outro blog [orgasmocomsarcasmo] percebo que há significantes que se repetem em minha história, assim como em minha análise. o nada, talvez seja o mais importante deles. o que fazer com o nada? como contorná-lo? eis a minha grande questão de infância, adolescência e dos meus trinta e dois anos. algumas elaborações já foram feitas sobre o lugar que minha mãe ocupou para mim, como esse grande Outro, poderosíssimo e primordial. o lugar de nada? no sentido de buscar um olhar, uma palavra e o vazio receber? quando entrei na faculdade de psicologia, há mais ou menos quinze anos, me senti muito tomada pelo poema conquistas, de cynthia macdonald, a criança que esteliriza os pulsos e realiza uma amputação, buscando o olhar de uma mãe que não dava contornos. talvez minha maior cura com a análise tenha começado no dia em que minha analista interrogou o motivo pelo qual eu ainda continuava provocando amputações para ofertar à minha mãe. algum ponto de basta se fez desde então.
segunda-feira, 3 de novembro de 2025
quarta-feira, 14 de outubro de 2020
mãe
eu sinto raiva de mim, que no fundo, é raiva dela
eu quero machucá-la, mas acabo me machucando
meu coração não vai ter paz
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domingo, 10 de maio de 2020
a verdade encontra-se embaixo da barra
pensamentos > pesquisa > compulsão > acha > esvazia
vazio.
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quinta-feira, 7 de maio de 2020
Medeia
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sexta-feira, 1 de maio de 2020
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sexta-feira, 18 de julho de 2014
Cartas à Elise
Elise nunca se materializou. Elise é um delírio, um conto criado em cima da não-lucidez. Elise é real nos devaneios e sonhos. Elise é real na dor ao chegar alcoolizada e se lamentar pelo não-vivido. Elise é sempre o não.
Elise é o riso. Elise é sentir o coração pulsando depois de muito tempo. Elise se torna uma esperança.
Elise é o tapete estendido. É a vergonha oculta. O orgulho engolido.
Elise não existe. Só em memórias de não-ocorridos. Nisso Elise está viva.
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segunda-feira, 16 de junho de 2014
Postado por charlotte às 17:19 0 comentários